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Preparação para o parto: mitos e verdades

Desfazer ideias preconcebidas e ter uma perceção ajustada à realidade são requisitos essenciais, para que o nascimento seja um momento feliz para a mãe e para o bebé. É por isso que existe a preparação para o parto.

Como uma gravidez bem planeada e um parto preparado corretamente aumentam, em muito, as probabilidades de o nascimento do bebé correr como desejado, existem ideias feitas que é importante esclarecer. As estatísticas indicam que a maioria das futuras mamãs tem condições para dar à luz por via espontânea. As gravidezes e os partos de risco correspondem a dez a 15 por cento dos nascimentos, mas a maior parte é previamente sinalizada pelos médicos, com recurso a cesariana. Em entrevista à Revista Prevenir, Alexandre Lourenço, médico ginecologista e obstetra, esclarece algumas das principais ideias preconcebidas.

 

“A epidural pode provocar paralisia”
Falso
«A epidural não provoca paralisia e não tem qualquer interferência com a mobilidade dos membros inferiores. Esta anestesia inibe a função nervosa e retira alguma sensibilidade e, por isso, ameniza a dor. No caso das cesarianas, pode causar o que se chama uma paralisia momentânea dos nervos que estão a funcionar, mas apenas durante uma ou duas horas. As complicações ou outras alterações durante o parto poderão provocar algum efeito desse tipo, mas nunca a epidural.»


“Tenho a sensação que a oxitocina, em vez de acelerar o parto, dificulta-o”
Falso

«Depende dos casos. A oxitocina aumenta a frequência e a intensidade das contrações. Se estas forem frequentes e intensas, não justifica fazer oxitocina. Se não houver contrações, o bebé não nasce. Por isso, o médico terá de dar esta substância para as aumentar ou melhorar, ajudando o trabalho de parto. Se a mulher tiver muitas contrações e a oxitocina não for bem dada, até pode dificultar o trabalho de parto, mas é um erro.»

 

“A epidural aumenta a probabilidade do uso de fórceps ou ventosa”
Verdadeiro
«Pode aumentar, na medida em que as mulheres, não percebendo e não sentindo dor ou sensação de contração, têm, muitas vezes, na fase final do parto, uma má perceção e não fazem a força que é necessária para a expulsão do bebé. Desta forma, se o período expulsivo for muito demorado ou arrastado, o obstetra que acompanha o parto pode perceber que a utilização de fórceps ou ventosa ajuda o bebé a nascer. E, naturalmente, também ajuda a mulher.»

 

“No parto por cesariana, a mulher sofre menos”
Falso
«Definitivamente, não. A morte materna é sete vezes superior nas cesarianas do que nos partos vaginais. Quando a intervenção não corre como previsto, as complicações da cesariana são mais graves do que as que ocorrem num parto normal. A cesariana é uma cirurgia, logo, é bem mais agressiva do que o parto vaginal. Claro que do ponto de vista do períneo, a mãe tem mais dores no parto vaginal, o que é normal, pois é por essa via que o bebé nasce.

«A cesariana é uma cirurgia, logo, é bem mais agressiva do que o parto vaginal»

Mas se tiver uma infeção na parede abdominal, é muito mais complicado. Além de que as infeções da bexiga são muito mais frequentes na cesariana.»

 

“As aulas de preparação para o parto não ajudam na sala de partos”
Falso
«A maior parte das aulas de preparação para o parto realizadas por professores de ginástica ou por fisioterapeutas, que não têm experiência de parto, prepara os músculos ou a parte psicológica. Mas a mulher não tem a mínima noção do que acontece no trabalho de parto. Ao contrário, uma aula preparada por uma enfermeira com habilitação em Obstetrícia e com muita experiência de partos pode, realmente, preparar para o parto.A maior parte das mulheres que frequentou sessões de preparação ministradas por enfermeiras experientes disse que foram muito úteis. Ficam a saber como devem reagir e encarar as várias fases, quer a nível físico como psicológico.»

 

“O parto vaginal é melhor para o bebé”
Verdadeiro

«Em situações em que o bebé tem o peso adequado e a mãe apresenta uma estrutura normal, o parto vaginal é melhor para o bebé. Desde logo porque, no parto por cesariana, o bebé também recebe anestesia numa altura muito delicada. Durante o parto vaginal, há estímulos sobre o pulmão do bebé que lhe podem diminuir o aparecimento de algumas dificuldades respiratórias. O que não acontece numa cesariana. A cesariana só deve ser realizada para evitar riscos, prevenir alguns problemas do bebé e abreviar o nascimento quando este não aguenta o trabalho de parto durante muito tempo. Os obstetras em função avaliam, em cada momento, se o prolongamento do parto em termos vaginais pode ser melhor ou pior para o bebé e para a mãe.»

 

“Devo ir logo para o hospital à primeira contração”
Falso
«A grávida só deve ir para o hospital com sinais específicos. Estar em trabalho de parto ativo significa que a mulher tem de sentir contrações dolorosas, regulares e rítmicas de três em três ou de quatro em quatro minutos. Se tiver uma contração a cada 20 minutos, este estado pode prolongar-se por uma semana e não ser trabalho de parto.

«Geralmente, nas gravidezes muito desejadas, em que a mãe participa ao longo de toda a gestação e tem uma boa preparação psicológica, as dores durante o parto costumam ser menos valorizadas»


Depois, existem alguns sintomas que implicam a ida imediata ao hospital. É o caso da rotura da bolsa de águas, perda de sangue abundante e não esperada, bem como a diminuição dos movimentos fetais. Existem outras queixas que obrigam a uma avaliação médica para perceber se algum destes sinais está relacionado com problemas que podem exigir internamento e vigilância médica.»

 

“As dores de parto são muito fortes”
Verdadeiro

«Se o parto não tiver preparação psicológica, epidural ou outro método de analgesia, as dores podem ser mesmo muito intensas. Geralmente, nas gravidezes muito desejadas, em que a mãe participa ao longo de toda a gestação e tem uma boa preparação psicológica, as dores durante o parto costumam ser menos valorizadas do que nas situações em que ser mãe não era muito desejado.

«Realizada com um bom anestesiologista e no momento certo, a epidural tende a tornar o trabalho de parto mais calmo e aceitável»

Além dos aspetos culturais de algumas etnias que valorizam ou não a dor, as pessoas também reagem de forma distinta por razões fisiológicas ligadas às terminações nervosas. Há mulheres muito estoicas, que suportam muito bem a dor, e outras que reagem ao mínimo estímulo sensitivo. As múltiplas estratégias para a diminuição da dor são sempre bem-vindas e conseguem ótimos resultados. Realizada com um bom anestesiologista e no momento certo, a epidural tende a tornar o trabalho de parto mais calmo e aceitável.»

 

“O ideal é ir já depilada para o parto”
Verdadeiro

«É muito mais simples realizar a depilação em casa ou com o cuidado de uma esteticista, normalmente, dois ou três dias antes do parto do que no momento do parto.»

 

“A melhor posição para o parto vaginal é sentada”
Falso

«A melhor posição é aquela em que a mulher se sentir mais confortável. É um pressuposto que é variável em função da própria cultura. Estar sentada na altura do parto pode não ser a melhor opção, pois depende do tipo de parto e de como a mulher se encontra. A posição habitual sentada nas perneiras é, muitas vezes, importante para os partos que não sejam espontâneos, ou seja, para a aplicação de fórceps ou de ventosas. Mas para o parto normal, não é essencial.»

 

“O ideal é ir à casa de banho antes de iniciar o parto”
Verdadeiro

«Não sendo previsível, era ideal que nos dias anteriores ao parto, as refeições não tivessem demasiados resíduos nem fossem pesadas e que o intestino tivesse preparado na altura. Durante o parto, que acontece algumas horas depois ao início das contrações, pode haver compressão no intestino e a contaminação fecal é frequente nessas ocasiões. No entanto, na maior parte das situações, é promovido o esvaziamento do intestino, antes do trabalho de parto, através da administração de pequenos laxantes.»

 

“O corte na zona do períneo é sempre necessário”
Falso

«Num primeiro filho, em bebés grandes e em períneos não preparados, a episiotomia evita lesões ou lacerações do parto. Logo, deve ser realizada, no final do período expulsivo, não por rotina, mas, sim, por necessidade. O que acontece é que, às vezes, insistindo em não se fazer episiotomia no momento certo, acabamos por ter lacerações graves do períneo. E estas são mais difíceis de corrigir e têm mais complicações. Nos primeiros filhos, a episiotomia é mais frequente. Nos segundos e terceiros filhos, é mais rara, uma vez que é bem mais simples preservar o períneo, sem fazer episiotomia.»

 

“A presença do meu médico na sala de partos é fundamental para me acalmar”
Verdadeiro

«A proximidade do médico e o saber que ele está lá é essencial. Mesmo que o obstetra não se encontre ao lado da grávida, as mulheres bem informadas sentem-se mais tranquilas só pelo facto de saberem que, em caso de complicação, existe alguém habilitado para resolver os problemas que ocorrem em dois ou três minutos, evitando consequências graves para o bebé ou para a mãe. Neste momento, realizar um parto sem um médico é completamente desaconselhado, pois arriscam a ter complicações por vezes difíceis de prever.»

 

“Há mais condições para o parto nos hospitais privados”
Falso

«Depende dos hospitais privados e públicos. Hoje em dia, todas as maternidades, públicas ou privadas, têm de ter anestesista e obstetra permanente. Bem como uma equipa específica de neonatologia. Os hospitais públicos de referenciação dispõem de muito boas condições para partos muito complicados, de risco ou pré-termo. Isto porque têm outras especialidades muito bem preparadas, como imagiologia ou recurso a sangue, por exemplo.

«Não existe nenhum estudo que prove que o parto na água alivia as dores»

As unidades hospitalares distritais têm algumas limitações. Por exemplo, não podem realizar partos inferiores às 32 semanas, uma vez que não dispõem de condições. Mas as unidades hospitalares estão identificadas e sabem qual é o seu papel. Agora, hospitais não certificados, pequenos ou partos em casa não preenchem os requisitos necessários para a segurança da mãe e do bebé.»

 

“O parto na água alivia as dores das contrações”
Falso

«Não existe nenhum estudo que prove que o parto na água alivia as dores. Para as pessoas que estão preparadas para esta circunstância, pode desencadear estímulos psicológicos positivos. No entanto, para a saída do bebé, ou seja, para o parto em si, não tem grandes vantagens.»

Fonte: Prevenir

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