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COVID-19 e amamentação: a vinculação em tempos de distância

É fundamental que as mães reconheçam que a amamentação é importante, mas não o único caminho para uma vinculação segura com os filhos. As explicações são de Mauro Paulino e Sofia Gabriel, da MIND – Psicologia Clínica e Forense.

No contexto pandémico atual, as recomendações relativas à amamentação são ambivalentes. Por um lado, os médicos portugueses tendem a identificar a amamentação como um fator de risco para a transmissão do vírus (por exemplo, através do contacto com a pele ou as secreções nasais) e apelam à minimização do contacto entre a mãe e o bebé. Por outro, a Organização Mundial de Saúde reforça a importância do leite materno, no sentido da transmissão de anticorpos e capacidades imunológicas, particularmente importantes na atualidade em que os bebés nascem.

Para além do valor nutritivo do leite materno, facilitador do desenvolvimento considerado saudável, a ciência psicóloga aponta para os seus benefícios, a longo prazo, designadamente:

  1. A existência de uma relação entre a amamentação e a promoção do desenvolvimento cognitivo e intelectual;
  2. A redução do risco de psicopatologia na vida adulta, como a ansiedade ou o recurso a comportamentos de risco, como o consumo de álcool;
  3. A presença de uma perceção tendencialmente positiva dos cuidados maternos recebidos durante a infância.

Ao longo dos anos, a amamentação tem vindo a ser descrita como um fator facilitador da relação de vinculação mãe-bebé. Esta relação é potenciada pela necessidade inata de os bebés procurarem a proximidade e o conforto de uma figura de proteção. É desenvolvida uma relação de vinculação segura, quando o bebé tem uma representação mental do cuidador como disponível e responsivo às suas necessidades, isto é, quando o adulto é percecionado como uma base segura a que o bebé sente que pode recorrer no momento em que vivencia medo.

É, assim, fundamental que, na história de cuidados com a mãe, o bebé desenvolva expectativas positivas acerca da disponibilidade dos cuidadores para satisfazer as suas necessidades (por exemplo, reconhecer o choro como uma estratégia para obter a atenção da progenitora).

Mas, porque é considerada a amamentação importante para a vinculação? Em resposta a esta questão, a investigação destaca dois fatores:

  1. Existe uma maior interação entre a mãe e o bebé, a qual parece contribuir para a sintonia entre a sensibilidade materna e o reconhecimento das necessidades físicas e mentais do descendente.
  2. A ocitocina e a prolactina, as principais hormonas liberadas durante a amamentação para a produção e secreção de leite, facilitam o comportamento e sensibilidade maternal, dada a redução da ansiedade e da sintomatologia depressiva, associadas a um aumento da confiança e precisão das expressões faciais.

Em poucas palavras, a amamentação parece estar associada a uma maior sensibilidade e responsividade materna e, por sua vez, à qualidade da relação de vinculação. Ou seja, parece não existir uma relação direta e causal entre amamentação e vinculação, mas sim uma ação facilitadora da proximidade mãe-bebé e uma oportunidade para uma interação sensível.

Tome-se como exemplo uma mãe que amamenta o bebé, mas que não providencia atenção e carinho. Naturalmente que o ato de amamentar, per si, não é suficiente para uma vinculação segura.

Segundo as investigações, o principal preditor de uma relação de vinculação segura é a sensibilidade da responsividade dos pais, isto é, a sensibilidade da capacidade de responder, de forma apropriada e no momento adequado, aos sinais e necessidades relacionais do bebé. Tomem-se como exemplos as necessidades alimentares (por exemplo, amamentar ou dar o biberão), de higiene (por exemplo, mudar a fralda), carinho e atenção (por exemplo, dar colo, beijos, dialogar e olhar para o bebé).

Apesar de a amamentação integrar um conjunto de comportamentos que aprimoram o vínculo emocional entre a mãe e bebé, através do contato físico e das interações afetivas, existem outras formas de alcançar esta proximidade emocional e desenvolver uma vinculação segura. Tomem-se como exemplos:

  1. Comunicação focada no bebé, mantendo o contacto visual e promovendo o posterior reconhecimento da voz da mãe (por exemplo, cantar para o bebé), pelo que o recurso a telemóvel durante o momento de dar o biberão é absolutamente desaconselhável.
  2. Durante um período definido pelo casal e confortável para ambos, permitir que seja apenas a mãe a alimentar o bebé (com recurso ao biberão), estando o pai também presente desde o início. Progressivamente, permitir que o pai providencie a alimentação através do biberão.
  3. Ainda que através de um vidro e sem contacto físico (quando o bebé se encontra na incubadora), a mãe e o bebé devem estar próximos e manter o referido contacto e interação visual. Os estudos revelam que as mães que passam as primeiras horas e dias com os bebés apresentam uma maior atração emocional pelos mesmos. Sim, as medidas de segurança são importantes, mas um afastamento de 14 dias pode não ser benéfico para a relação mãe-bebé, devendo procurar-se alternativas à situação.
  4. Caso seja permitido algum contacto, mesmo que reduzido, privilegiar expressões positivas de afeto, como dar colo e embalar o bebé para dormir, para sentir o cheiro e a pele da mãe (é importante usar máscara e higienizar previamente as áreas de contacto com o bebé).

É fundamental que as mães reconheçam que a amamentação é importante, mas não o único caminho para uma vinculação segura com os filhos. Apesar da importância dos primeiros dias, a relação é construída nos primeiros anos de vida e não apenas nas primeiras horas. É verdade que somente as mães possuem a capacidade e oportunidade de amamentar um bebé, mas ser mãe é muito mais. É amar incondicionalmente, estar presente e investir no bem-estar emocional e físico do descendente ao longo de toda a sua existência.

Se, enquanto mãe, for muito importante amamentar, pode dialogar e planear com o seu médico a relactação, isto é, o iniciar da amamentação após o período de risco de contágio. Neste sentido, caso a amamentação seja permitida aquando do nascimento ou posteriormente, é imprescindível discutir com o médico as práticas recomendadas para o fazer em segurança, para si e para o bebé, assim como para o seu parceiro. É fundamental recordar que, ainda que a oportunidade de amamentar um bebé esteja circunscrita à mãe, é igualmente importante a presença e participação paterna, podendo assumir a tarefa de dar o biberão.

Fonte: Sapo Lifestyle
Publicado: 15/04/2020

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