Mamãs e Bebés

Concepção e ovulação

belly pregnant woman flower

A fertilidade não é eterna

A Gedeon Richter desenvolveu, com o apoio científico da Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução (SPMR), a plataforma “Quando estiveres pronta”. O Prof. Doutor Pedro Xavier, presidente da SPMR, e o Dr. Luís Vicente, vice-presidente da SPMR, mencionaram, em entrevista à News Farma, as vantagens desta plataforma, que pretende fornecer mais conhecimento às mulheres sobre a preservação da fertilidade. Leia a entrevista.

News Farma (NF) | O que levou a esta iniciativa? O que está por trás?

Prof. Doutor Pedro Xavier (PX) | No fundo esta é uma campanha de sensibilização, que tem como objetivo alertar as mulheres em idades em que ainda não pensam em problemas reprodutivos, ou nem sequer pensam em ter filhos, para a possibilidade de a sua capacidade não ser aquela que imaginavam. Hoje em dia, as mulheres adiam a sua maternidade para idades mais tardias, também convencidas que podem chegar aos 35, 36, 37 anos e engravidar. Em suma, esta campanha tem esse primeiro objetivo: esclarecer, informar e sensibilizar para a possibilidade do processo não ser tão linear.

 

NF | O que é que as mulheres podem encontrar na plataforma?

Dr. Luís Vicente (LV) | No fundo, nesta plataforma existe a possibilidade fornecida pela ciência de mulheres e homens poderem preservar a sua fertilidade. Sabemos, que nos homens é mais recorrente, mas nas mulheres, durante muito tempo, era algo experimental, mas que pode ser feito. Do ponto de vista das razões sociais as mulheres vão poder ponderar e ter consciência que podem preservar a fertilidade, apostar na carreira, e caso não tenham condições para ter uma gravidez em determinada altura poder manter a sua fertilidade, nos gametas, no futuro.

A fertilidade não é eterna sobretudo nas mulheres e começa a diminuir a partir dos 35 anos e a partir dos 40 cai a pique. Queremos alertar para essa realidade e para a ideia de que o tratamento de fertilização medicamente assistida não consegue milagres depois dos 40 anos. Por isso, se uma mulher recolher os ovócitos aos 35 anos tem taxas de gravidez muito superiores do que se forem recolhidos depois dos 40.

 

NF | Quem é que deve considerar a congelação dos ovócitos?

PX | Apesar de o pico de fertilidade, no caso da mulher, ser por volta dos 23 anos, há uma relativa estabilidade dessa capacidade fértil até aos 32. Se fizermos uma recomendação de congelação de ovócitos numa mulher muito jovem, deve ter-se em conta que essa mulher ainda tem muita vida pela frente e poderá engravidar de forma natural. O problema coloca-se sobretudo nas mulheres que se aproximam dos 30 anos. Nessas, na faixa dos 30 até aos 35 anos, será porventura a faixa etária que melhor se aplica este conceito de preservar a fertilidade, congelando os ovócitos. São mulheres que ainda têm uma qualidade dos seus ovócitos bastante boa e por outro lado, já estão numa idade que começam a ter um risco maior de não conseguir uma gravidez. Relembro, que isto aplica-se sobretudo para mulheres que não têm perspetiva a curto prazo de engravidar.

NF | Qual é o potencial de sucesso de recurso a um tratamento de fertilidade a partir de determinada idade?

LV | Sabemos, baseando-nos em trabalhos que avaliaram mais de cinco mil bebés que nasceram de preservação de ovócitos, é que até aos 35 anos a taxa de gravidez chega a atingir os 60%. Depois dos 35 a taxa desce para metade, atingindo os 30%. Portanto, aqui a idade é mesmo fundamental. Muitas vezes encontramos senhoras que aos 40 anos estão a ver a fertilidade a ficar reduzida e pretendem preservar a sua fertilidade, no entanto, temos de ser honestos e não criar falsas expectativas, porque nessa faixa etária já não vai fazê-lo.

Podemos, também, avaliar o impacto destes tratamentos pelo número de ovócitos que são necessários para se ter um bebé. Até aos 35 anos são necessários cerca de 11 ovócitos para conseguir engravidar. Depois dos 35 são necessários 29. Quando fazemos uma estimulação depois dos 40 anos, não conseguimos ter mais do que 8 ovócitos.

No meu entender, a vantagem desta campanha é no fundo sensibilizar que esta possibilidade existe e que é possível preservar a fertilidade numa altura em que a mulher estiver pronta para avançar com uma gravidez, mas que essa não pode ser muito tarde. Por outro lado, perceber também que isto é uma opção que a ciência dá e devemos pensar que socialmente temos de dar todas as condições para que as mulheres possam ter uma gravidez quando querem em condições ideias e não serem prejudicadas profissionalmente por causa da gravidez.

NF | Consideram que este tipo de tratamentos é do conhecimento geral da população ou se ainda há algo a fazer para que chegue a mais pessoas?

PX | A perceção de que há um grande desconhecimento relativamente a esta possibilidade é um dos motivos desta campanha. Ou seja, aquilo que percebemos são duas coisas: as mulheres têm pouca consciência da fisiologia da reprodução e, portanto, chegam aos 37 e ficam surpreendidas quando lhes dizemos que já estão num declínio muito acentuado da sua capacidade reprodutiva; por outro lado, as mulheres que até têm num curto prazo de tempo a vontade de engravidar, mas que pensam que hoje em dia há tratamentos que permitem ajudar e podem esperar, no entanto, mais tarde, apercebem-se que esse problema da infertilidade só é passível de ser resolvido se a qualidade dos óvulos for boa.

O nível de desconhecimento que constatamos quase diariamente nas consultas é muito grande, por isso, esta campanha faz todo o sentido, não apenas com essa estratégia de as mulheres poderem congelar os ovócitos, mas também de mudarem os seus planos de vida.

LV | Eu pessoalmente, também acho que sim. Atenção que esta campanha não foi apenas lançada em Portugal. Já está em países como a Suécia, Bélgica, Espanha e Grécia. Ou seja, este desconhecimento não é só da população portuguesa. O engraçado, é que o maior conhecimento de que isto é possível surge nas mulheres que já estão a chegar aos 40 anos, mas aí temos de dizer que apesar de uma possibilidade, esta já não vem na altura certa.

NF | Quando é que se diz que já não é possível? Os riscos a partir de determinada idade?

LV | A questão de “já não dá” é quando por vezes temos de optar pelo plano B, que acontece quando antes dos 40 anos, há uma falência ovárica prematura, quando fazemos uma estimulação e temos uma resposta péssima. Mesmo com análises e ecografias para medir o número de folículos que existem nos ovários, percebemos que a reserva ovárica é muito má e nunca vamos conseguir obter os ovócitos de que precisamos. Nestes casos, o plano B é a doação de ovócitos.

 

NF | Considera que o apoio psicológico é importante para um casal que pretenda iniciar um tratamento? Existe algum apoio aliado ao tratamento?

PX | Os centros têm nas suas equipas um psicólogo dedicado à área da reprodução, exatamente para dar apoio em todas as circunstâncias que o casal ou a mulher sente que é necessário, tal como nestes casos. Aqui também tem um papel essencial para explicar às mulheres que este processo não é uma garantia: pode ter ou não sucesso.

LV | Concordo no sentido em que possam haver mulheres a fazer a preservação da fertilidade por um motivo oncológico e nesse caso estão muito focadas no resultado positivo. Não são mulheres que têm um péssimo prognóstico, são apenas as que tomaram esta decisão e que projetam no futuro da cura a possibilidade de terem uma gravidez.

 

NF | Qual o peso da utilização de contracetivos orais femininos para o decréscimo fertilidade?

PX | Essa pergunta é muito interessante porque desmistifica um dos principais mitos que encontramos no terreno. Ou seja, dizerem que têm muito medo de tomar a pílula, porque têm medo que esta faça mal quando um dia quiserem engravidar. Não há nenhuma evidência científica disso, muito pelo contrário. A pílula tem um efeito, de certa forma, preventivo de algumas doenças que podem diminuir a capacidade fértil. Portanto, desse ponto de vista não há qualquer dúvida em que a mulher se precisar de tomar a pílula, pode tomá-la em segurança.

O outro mito é relativo ao facto de que se retirarmos os ovócitos e se um dia a mulher quiser engravidar de forma natural, vai ter menos hipóteses de o fazer, uma vez que já perdeu esse material genético. Este mito está completamente errado. A mulher perde ovócitos todos os meses, independentemente do seu plano reprodutivo. Se estiver a tomar a pílula e não estiver a querer engravidar está a perdê-los na mesma.

Portanto, aquilo que se faz com esta colheita é aproveitar os ovócitos que a mulher iria perder nesse mês.

LV | Várias vezes, nas consultas de fertilidade, quando fazemos o histórico clínico, fazemos muitas perguntas e algumas mulheres dizem que tomaram a pílula durante muitos anos, e o que respondo é que isso até as protegeu, uma vez que a pílula reduz o risco da endometriose, que é uma doença benigna, mas que pode estar associada à infertilidade. Por isso, quando se toma a pílula a fertilidade está retomada.

Outros benefícios, além da contraceção, é que há uma redução do risco do cancro do ovário em 60%, ou do cancro do endométrio.

As pessoas acham que ao tomar a pílula estão a tomar super-hormonas, mas é exatamente o contrário. Ao usar a pílula, o ovário está bloqueado, o que faz com que o nível de hormonas seja muito mais baixo.

 

NF | Estamos a falar de tratamentos na ordem de que valores?

PX | É variável. Se for uma preservação da fertilidade por razões médicas, como por exemplo, uma mulher que vai fazer um tratamento oncológico e que sabe que esse tratamento vai destruir os seus óvulos, tem de fazê-lo para os preservar. O Sistema Nacional de Saúde (SNS) oferece esse tratamento e a mulher pode fazê-lo gratuitamente, sem lista de espera, no momento imediato.

No entanto, se for por uma razão social, o SNS já não comparticipa. Nesse caso, as pessoas têm de recorrer a clínicas privadas e o valor pode rondar até os três mil euros.

 

NF | Somos um dos países mais velhos do mundo. A tendência atual é ter filhos cada vez mais tarde. Considera que é necessário a Medicina evoluir no sentido de acompanhar esta tendência? De que forma?

LV | Já nos vamos habituando a ter gravidezes em mulheres cada vez mais velhas. Neste momento, tenho uma grávida com 53 anos, que fez a transferência em Espanha, porque em Portugal o tratamento nessa faixa etária já não é permitido.

Da nossa parte, só temos de avisar que numa gravidez depois dos 40 anos o risco de hipertensão na gravidez, de diabetes gestacional e de maiores complicações durante o parte são superiores. A Medicina pode avançar, mas os riscos estarão sempre presentes.

O ideal era que dessemos condições às mulheres, tal como é feito nos países nórdicos, para que estas pudessem ter uma gravidez mais cedo sem serem prejudicadas profissionalmente.

Pessoalmente, acho que a Medicina não precisa de evoluir muito mais. Conseguimos ter os níveis de cuidados de saúde adequados a grávidas com mais de 40 anos, sem que haja uma morbilidade quer materna, quer fetal. Em Portugal, temos um dos melhores sistemas de saúde em termos de menor morbilidade materno-fetal. No meu entender, devemos evoluir para que as mulheres consigam engravidar mais cedo.

 

NF | Porquê esta aliança entre a SPMR e a Gedeon Richter?

PX | É uma aliança meramente circunstancial. As campanhas têm custos elevados, e a Gedeon Richter é, no fundo, a promotora da campanha, no entanto, pediu à SPMR o apoio científico para a validação da mesma.

A Gedeon Richter é uma companhia farmacêutica, portanto lançar esta campanha sozinha poderia dar a entender que esta apenas teria um interesse comercial, e nós, como sociedade científica, provamos o contrário, uma vez que além de ser importante alertar para o problema é também fundamental oferecer soluções.

Assim sendo, é esta simbiose que levou a que haja uma partilha de interesses entre as duas partes.

LV | Em termos de sociedade encontramo-nos num congresso científico entre pares. Esta campanha, tal como outras que já lançámos, visam que a sociedade tenha um papel importante em toda a população.

 

Fonte: News Farma

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